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Sarah Janne

Sarah é uma escritora talentosa e apaixonada por explorar o fascinante mundo das curiosidades, tendências e novidades. Em suas colunas, ela traz insights únicos e interessantes sobre diversos assuntos que capturam a imaginação de seus leitores.

Operação em Gaza: Distribuição de Suprimentos Comprometida e Crescente Crise Humanitária

ONU alerta para a inviabilidade do projeto de US$ 320 milhões sem condições de segurança, enquanto acusações de crimes contra a humanidade geram controvérsia internacional

Por: Sarah Janne

Borges

Nos primeiros cinco dias da operação, nenhum dos alimentos e suprimentos que chegaram à Faixa de Gaza por meio de um cais artificial construído pelos Estados Unidos foi distribuído à população palestina pelas organizações de ajuda. Cerca de 569 toneladas de mantimentos permanecem indisponíveis, conforme informou ontem o general Patrick S. Ryder, porta-voz do Pentágono.

No último sábado (27/5), multidões famintas saquearam vários caminhões do Programa Alimentar Mundial que transportavam ajuda para o cais, resultando na suspensão das entregas no domingo e na segunda-feira. Devido à escassez de suprimentos e à insegurança, a ONU suspendeu a distribuição de alimentos aos palestinos em Rafah.

A ONU alertou que o projeto do cais, avaliado em US$ 320 milhões, pode se tornar inviável a menos que Israel assegure condições adequadas para que os grupos humanitários operem com segurança. Israel continua a utilizar a fome como uma estratégia de guerra, prática historicamente reconhecida como crime contra a humanidade.

Aproximadamente 800 mil palestinos, deslocados do norte de Gaza para Rafah, no sul, por determinação de Israel no início do conflito, permanecem na cidade em condições precárias. Após bombardear Gaza até quase sua total destruição, Israel agora concentra ataques em Rafah, deixando os palestinos sem opções de refúgio.

Karim Khan, promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, solicitou a prisão do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de seu ministro da Defesa e de três líderes do Hamas, acusando-os de crimes contra a humanidade. Apesar das críticas dos Estados Unidos e de países europeus ao pedido de prisão dos líderes israelenses, o promotor defende a equivalência das vítimas no conflito.

O Hamas, que foi eleito pelos palestinos em 1995, surpreendeu Israel com um ataque não anunciado em 7 de outubro do ano passado. Israel, no entanto, não avisa seus inimigos antes de atacá-los. Enquanto o Hamas é responsabilizado pela morte de mais de 1.200 civis israelenses, Israel já causou a morte de 35 mil palestinos civis, segundo o Hamas, e continua suas operações militares apesar das pressões internacionais.

O caso é comparável a outras crises humanitárias negligenciadas pela comunidade internacional, como a limpeza étnica realizada pelas forças armadas do Azerbaijão contra os armênios. Israel, por sua vez, enfrenta críticas por promover uma limpeza étnica na Faixa de Gaza sem ser nomeada como tal.

Tal Heinrich, porta-voz do governo de Israel, apelou à comunidade internacional para apoiar Israel contra a decisão do promotor, defendendo que mesmo que mandados de prisão sejam emitidos, não devem ser executados. Netanyahu, em resposta evasiva, qualificou as acusações do promotor como uma tentativa de negar a Israel o direito de autodefesa, sem abordar a equidade entre vidas inocentes de ambos os lados do conflito.