A autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para o avanço de mais uma fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, trouxe à tona informações sobre a suposta atuação de um grupo informal apelidado de “A Turma”. Segundo as investigações, essa estrutura teria sido utilizada para acompanhar e pressionar pessoas vistas como opositoras do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que foi preso.
Entre os nomes mencionados está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas apurações pelo codinome “Sicário”. Conforme a Polícia Federal, ele desempenharia função estratégica na organização, sendo apontado como responsável por coordenar ações de vigilância, coletar dados e monitorar indivíduos considerados críticos ou rivais do empresário.
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Conversas analisadas pelos investigadores indicam que Mourão teria atuado como articulador das atividades do grupo, que reuniria pessoas próximas ao banqueiro e integrantes com experiência na área de segurança. As mensagens apreendidas sugerem ainda que a estrutura contaria com um orçamento mensal estimado em aproximadamente R$ 1 milhão, destinado ao custeio das operações e à remuneração dos envolvidos.
De acordo com trechos da decisão judicial, os valores seriam repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e posteriormente distribuídos entre os participantes.
A investigação também menciona o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva como integrante da suposta organização. Para a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam a possível existência de uma rede privada de vigilância voltada à coleta de informações sobre pessoas relacionadas às apurações envolvendo o Banco Master.
Com base nos indícios apresentados, o ministro André Mendonça autorizou a expedição de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra investigados nesta nova etapa da operação. A decisão aponta ainda sinais de eventual tentativa de interferência nas investigações, fator que teria fundamentado as medidas cautelares adotadas.
A terceira fase da Operação Compliance Zero apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos supostamente praticados por integrantes do grupo ligado ao banqueiro. Também foi determinado o bloqueio de bens que pode alcançar R$ 22 bilhões, além da imposição de medidas contra outros investigados citados no processo.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro declarou que o empresário sempre se manteve à disposição das autoridades e colaborou de forma transparente com as investigações desde o início, negando qualquer tentativa de obstrução.
Os advogados afirmam ainda que contestam integralmente as acusações atribuídas ao cliente e confiam que o esclarecimento dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta, reiterando respeito ao devido processo legal e às instituições.







