Durante um curso de Batalhão de Operações Especiais (Bope) em Goiás, um major foi vítima de tortura e tentativa de homicídio por parte de policiais militares. O Ministério Público de Goiás (MPGO) e a Corregedoria da PMGO investigaram o caso, que ocorreu em outubro de 2021, mas permaneceu em segredo até recentemente. Os PMs envolvidos são acusados de ocultar a gravidade da situação, inclusive tentando simular a morte do major por Covid-19. As investigações apontam que o major foi submetido a intensas sessões de tortura, resultando em coma e danos graves à sua saúde física e emocional. O caso envolve ainda tentativas de obstrução da justiça por parte dos policiais. O Ministério Público apresentou denúncia contra os acusados, exigindo que sejam afastados de suas funções. A PM de Goiás declarou que o inquérito foi concluído e encaminhado para a Justiça Militar, reiterando seu compromisso com a lei.
A situação do major se deteriorou rapidamente, levando-o a entrar em coma e ficar vários dias intubado em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Os PMs envolvidos tentaram ocultar a gravidade dos ferimentos, chegando ao ponto de forjar a causa de uma possível morte como sendo Covid-19. A denúncia do MPGO descreve como os policiais aguardaram o falecimento do major para então entregar seu corpo à família, alegando contaminação pela Covid-19 e assim evitar a investigação dos fatos.
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O curso de operações especiais do Bope é destinado a policiais que desejam integrar a unidade, conhecida por lidar com ocorrências de alta complexidade. O major torturado, apelidado de “caveira” como os formandos desse curso, enfrentou dificuldades adicionais devido à sua alta patente e resistência ao treinamento, o que teria motivado os instrutores a aumentar a brutalidade dos atos contra ele.
Apesar da gravidade dos ferimentos e do estado crítico do major, os policiais responsáveis por sua segurança decidiram transferi-lo para outro hospital, sem informar sua família sobre a real situação. Chegando ao segundo hospital, o major foi diagnosticado com lesões corporais gravíssimas e testou negativo para Covid-19, revelando a falsidade das alegações anteriores.
Após uma longa jornada de recuperação, o major foi promovido a tenente-coronel e recebeu o diploma do curso do Bope. No entanto, os acusados permanecem em seus cargos, com apenas três deles recebendo uma punição leve de 12 horas de prestação de serviço. O MPGO exige que todos os denunciados sejam afastados de suas funções e que seus armamentos sejam recolhidos.
O caso também envolve tentativas de obstrução da justiça por parte dos policiais, incluindo a destruição de provas. Apesar disso, o inquérito policial militar foi concluído e encaminhado para a Justiça Militar, conforme comunicado da PM de Goiás. A vítima preferiu não se manifestar sobre o assunto.







